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Espiritualidade

Você sabe para onde vai ?

Sarah Weintraub

Passando pelo mundo de Hollywood e da moda, uma mulher descobre sua interioridade.

Susie Solomon fez um passeio turbulento pelo dramático mundo de Hollywood e da alta moda até que sua vida deu uma volta inesperada e ela se tornou Sarah Weintraub, uma mulher com a missão de criar sua família de acordo com os valores e tradições judaicas. Quer estivesse organizando os desfiles de moda de Bob Mackie quer estivesse fazendo os banquetes diários todo dia na escola de Torá da cidade, Sarah coloca toda sua paixão e energia em tudo que faz. Está é sua história.

Criadas em Valley, nós não tínhamos nenhuma ligação com nosso judaísmo, nem com um shul (sinagoga) e com Israel. Tínhamos jantares de Rosh Hashaná e Pessach, porém eles não tinham nenhum conteúdo judaico.

Depois de me formar no segundo grau, me casei aos 18 anos. Ele era mais velho, judeu e era bom por isto me casei com ele. Eu nem refleti sobre isso. Lembro que subi no altar e pensei: "Bem se não der certo, eu me separo." Não tinha idéia do que estava fazendo. Até que dei a luz a Jennifer, quando tinha 21 anos. Eu seguia o fluxo da vida, mas não estava trabalhando. Então, me divorciei aos 24 anos, e comecei a viver.

Por várias circunstâncias estranhas e fortuitas (o Todo-poderoso sempre olhava por mim), e através de homens que namorei e pessoas que encontrei e conheci, fui apresentada a Diana Ross. Ela queria abrir uma loja de vestidos e precisava de alguém para administrá-la. Eu trabalhava na Alan Austin, que era uma famosa loja de roupa em Beverly Hills. Eu era somente uma vendedora, mas pensei, "Por que não?"

Eu a Diana nos identificamos uma com a outra. Ela tinha 27 anos naquele momento e estava num momento muito bom de sua vida.

Ofereceram-lhe o filme “Mahogany” e ela me perguntou se eu gostaria de ajudá-la com ele. Não era preciso nenhum talento ou habilidades especiais. Aí eu disse: “Tudo bem”. O que você quer que eu faça?”E então decidimos juntas que eu iria ser sua assistente e faria as compras das roupas para o filme que Bob Mackie não criou. Falando em profecia e acessos, vocês não podem imaginar quantas portas se abriram para mim.

Então Diana me disse, "eu gostaria que viesse comigo neste filme. Para Chicago e Roma." Então, eu fui. Mas coitada de Jennifer. Eu a deixei e isso não era bom. Fiz muitas escolhas ruins, inconscientemente. Parti por seis semanas, primeiro fomos a Chicago, depois a Europa. Tudo o que Diana fazia, eu fazia também. Era um estilo de vida muito diferente, tudo em primeira classe, as melhores comidas, as vilas mais luxuosas...Nunca pensei que Susie Solomon, de Valley, algum dia estaria lá.

Quando o filme terminou, precisava de um trabalho. Não podia mais deixar Jennifer mais. Minhas viagens estavam destruindo-a. Diana se mudou para Nova Iorque e eu voltei a minha vida na Califórnia. Mas ficamos em contato...

Alguém tinha mencionado a idéia de licenciamento.Nunca tinha feito nada daquele tipo antes, mas valia a pena tentar. Então fui até Bob Mackie (que era muito famoso naquela época, desenhava o guarda-roupa para Cher, Ann-Margaret, Mitzi Gaynor, Carol Burnett - e era o vencedor de cinco prêmios Emmy e tinha três indicações ao Oscar por suas fantasias.) Me aproximei dele perguntando se poderia ser sua agente de licenciamento. E ele aceitou.

Com a ajuda de um desenhista gráfico criei um grande livro de Bob Mackie e o levei para Nova Iorque. Não tinha a mínima idéia do que estava fazendo. Mas todos me recomendavam a ir a Cole de Califórnia, a principal companhia de roupas de banho no país. Então, fiz meu primeiro negocio de licenciamento para as roupas de banho de Bob Mackie na América. Isto era inacreditável. Então, produzimos um desfile no Hotel de Beverly Hills, algo que a industria nunca tinha visto antes. E foi ficando cada vez maior. Trabalhei para ele por sete anos, viajando por toda parte do país (por pouco tempo para não perturbar minha filha Jennifer) fazendo desfiles de moda. Quando encontrei Charlie Rose naquela época, ele fazia um show de um dia em Dallas, no Texas.

Voltando um pouco, Diana tinha uma tenda no torneio de tênis em Las Vegas, mas ficou doente e me pediu para ficar em seu lugar. Então, quando estava lá, naquela tenda de celebridade, Howard Cosell me apresenta para um homem sentado ao meu lado, um homem poderoso na indústria do entretenimento que depois, acabei namorando por muitos anos. Ele era um homem muito especial que via algum potencial em mim que certamente eu mesma não tinha visto. Ele era muito amável e atencioso para viver num mundo tão agitado quanto aquele. Ele me pegou e acrescentou mais glamour a minha vida. Conhecemos o Príncipe Philip, o Príncipe Charles...

Mudamos para o círculo interno de Hollywood e mesmo assim ele não tinha o caráter problemático de alguns agitadores e produtores. Nunca gritou com ninguém e sempre se comportava com consideração. Mas por alguma razão, talvez a diferença de idade, nunca fomos capazes de ter um contato real. Ele era um príncipe para mim, mas eu não me conhecia o suficiente para saber o que procurava. Não estava interessada em me casar novamente devido ao meu primeiro casamento ter acabado.

Minha primeira exposição real com a Torá e qualquer sentimento em relação ao Judaísmo foi num casamento. Todos os convidados participavam com Barbra Streisand, Bette Midler e outras pessoas no estudo da Torá, ou seja, a preparação para o papel que Barbra faria no filme “Yentl”. Dois anos mais tarde fui contratada por uma importante companhia de roupas de banho, e depois fui para uma empresa maior e de lá fui para uma maior ainda. Quando trabalhava para LaBlanca, estava fazendo algumas fotografias quando o fotógrafo vem em minha direção, numa sexta-feira à tarde e fala, " Temos um pequeno problema para resolver. A estilista tem que ir embora."

Então eu subi as escadas e fui ficando cada vez mais firme. Quem sabe como ser amável e atenciosa? Aí eu disse, “Não me importa. Ela não vai embora.”

"Mas ela precisa ir," ele disse.

"Eu a contratei e ela não vai a lugar nenhum!"

O estilista que fazia as fotografias estava chorando. Qual é o problema? Por que ela tem que ir?”Finalmente falei, desesperada.

E nunca me esquecerei de sua resposta. "Porque ela é observante."

Eu o olhei no olho e disse, "Ela é observante de que?”

"Do Shabat."

Eu estava muito brava, mas mesmo assim ela foi. Que chutzpá!.

Na segunda-feira voltou cheia de medo, pois eu não tinha sido muito boa com ela. Eu olhei para ela e vi que era muito atraente e bem vestida, então, disse, "O que é isto? Partir numa sexta-feira à tarde bem quando eu mais preciso de você?”

Ela explicou que era religiosa e estudava Torá. Deu-me um cartão e me convidou para vir em alguma aula se tivesse tempo. Eu o coloquei na minha carteira sem intenção nenhuma de fazer alguma coisa com aquele cartão.

Eu e Diana nos afastamos.Minha relação de longo tempo com ela havia acabado. No tempo em que estávamos juntas não fui sensível a sua generosidade a tudo o que ela fez por mim. Ele me ajudou a me moldar e ver que estava aberta a Torá quando ouvi aquela resposta, talvez fazendo com que me sinta um ser humano verdadeiro e confie nos meus instintos. Ele me ajudou a destacar meu potencial interno.

Ainda assim me sentia incapaz de ser a mãe que deveria ser para minha filha, não tinha as ferramentas necessárias. Eu tive uma filha bonita, que teve que agüentar meu estilo de vida, a minha preocupação comigo mesma, minha falta de compreensão, e inconsciência do dano que lhe causava.

Eu estava sozinha com minha filha e não tinha mais nada além do tempo. Uma noite abri minha carteira e vi aquele cartão. Estava na época de Rosh Hashaná e fui numa aula patrocinada pelo Aish Há Torah, como dizia o cartão.

Era num duplex, no andar de cima. Eu me lembro de subir os degraus e dar de cara com um monte de pessoas sentadas no chão com cadernos de anotação azuis em suas mãos. Eu me sentei e percebi que era uma aula sobre Adão e Eva e era muito interessante. E as pessoas me convidaram para mais um milhão de coisas diferentes; como uma aula na noite seguinte com o Rabino Yitzchok Kirzner, de santificada memória. Ele começou a falar e havia alguma coisa no que falou e como falou...Ele falou sobre teshuvá (arrependimento) e que ela está escondida no fundo de nós, a faísca Divina dentro de nós, nossa alma e a conexão íntima com D’us...Ele dizia tudo o que eu sentia. Era como um laser; um golpe direto. Era verdade e eu sabia disto. Entrou no meu corpo e na minha alma. Então comecei a explorar e ir para mais aulas.

Eu tinha 38 anos de idade e estava assustada. Eu não fui muito depressa. Mas escolhi ficar envolvida com o judaísmo e ir a várias refeições de Shabat. Depois comecei a ter aulas com o Rabino Nachum Braverman, particularmente sobre Amor e Casamento, e percebi que cometi um grande erro. Eu queria me casar novamente. E queria ter mais filhos. Mas, pensei, "Quem vai se casar comigo? E como descobrirei?"

Eu ia a vários encontros e entrevistava as pessoas. Elas pensavam que eu estava lhes pedindo em casamento!

Um dia meu pai ficou muito doente, e eles não conseguiam fazer com que seu coração voltasse a bater. Estávamos todos juntos no hospital e disse para minha família para que parassem de chorar e começassem a rezar! Pedir a D’us para que nos ajude. Então, o cirurgião saiu da sala e disse “É um milagre!” Naquela hora decidi que não seria mais egoísta. Queria fazer algo como resposta a tudo isso. Essa foi a primeira vez que reconheci que nossas rezas são escutadas e existem respostas.

Então fui despedida de meu trabalho como Executiva de Publicidade. Era realmente um grande trabalho e eles gostavam de mim. Estava desolada. Me sentia vulnerável e assustada.

Mas o presente de estar vulnerável foi exatamente o que me abriu. Eu comecei a namorar Peter durante este tempo. Tínhamos sido amigos há mais ou menos 14 anos, mas nunca houve nenhum interesse romântico, pelo menos de meu lado. Ele estava surpreso pela minha nova descoberta, o interesse no Judaísmo e me acompanhou em algumas aulas.

Agora conseguia acabar com toda aquela tolice e ver Peter como a bênção que ele era, pela bondade e generosidade que tinha. Pude abrir meus olhos para o bom da vida. E abri meus olhos e os mantive abertos.

Também vi no Judaísmo toda verdade e sabedoria, e que pertencia a mim. Aos 40, percebi que você tem que ter um compromisso, se casar, viver num estilo de vida de acordo com a Torá. Você não pode ficar nas extremidades. Tem que deixar o mundo saber que você quer isto. Tem que ter energia positiva e assim poder se casar, e levar uma vida significativa e espiritual. Quero criar uma casa centrada em D’us e nos valores da Torá com um marido, crianças e amigos. Talvez você não consiga isto agora, mas deve se abrir para poder ter ou definitivamente não terá e correrá o risco de estar vulnerável. Eu decidi ficar com este risco e ganhei muitas berachot.

Eu sabia que queria viver uma vida centrada na Torá. Tive muita sorte por estar ligada ao meu marido, Peter, que estava disposto a ir comigo. Quando caminhava para a chupá, senti como se estivesse voltando para casa. Queria saborear todos os momentos. Finalmente senti que estava no caminho certo. Estava lá, com meu vestido de noiva de Bob Mackie com o Rabino Braverman que nos casava, a justaposição do velho e do novo, passei por todo o círculo. Minha vida é muito mais rica, não necessariamente mais fácil, mas mais rica, profunda e significante. Nada de minha vida passada era o que eu queria realmente. Quando comecei a estudar Torá, as pessoas se interassavam por mim, não em quem eu era e o que poderiam ter de mim. E isto me deu muita coragem e prazer. Foi uma experiência transformadora. Nada mais verdadeiramente pertence a você.

Peter e eu fomos abençoados por uma filha, Lauren. Depois tive que me esforçar muito para trazer Ariela seis anos mais tarde. E penso que toda a reza e preparação que fiz para trazer Ariela ao mundo me manteve conectada a Fonte. Que é de onde minha tremenda energia vem. Sinto-me conectada a uma Fonte Poderosa que vai muito além de qualquer limitação física.

Olhando para trás vejo que Jennifer foi colocada, infelizmente, numa situação difícil. Eu não estava preparada para ser mãe. Foi muito difícil nutrí-la e cuidar dela. Era um grande desafio para nós dois. Através de minha transformação, de meu contato com o que realmente importa, de como olhar o mundo e a minha filha, pude me reencontrar e ajudá-la. Agora há comunicação e amor, junto com a dor. Há uma sensação de gratidão, pelo que ela se tornou, pelo milagre que é, e a gratidão uma pela outra. Ela é uma pessoa incrível, uma mulher madura com seus 30 anos e duas filhas adoráveis, e tem o espírito lutador que herdou de mim! Nós erramos muito uma com a outra, mas desejamos muito estar juntas. É um verdadeiro milagre.

Ao longo de minha vida a mão de D’us me guiou nas mais surpreendentes situações, algumas delas bastante difíceis, algumas desafiadoras e algumas bastante dolorosas, mas todas elas surpreendentes.Nunca percebi que Ele me acompanhava, mas agora tenho certeza disso.

Sou eternamente grata por todos os presentes que me deram, pelo tempo com Diana e Bob que me ensinaram sobre a beleza e levou a minha paixão a embelezar toda mitzvá!, a minha família, a meus amigos e professores, a Torá e a habilidade que tenho, agora, para ver a presença de D’us que rodeia tudo que faço.