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Viver para amar

Lawrence Kelemen

Durante os últimos 13 anos tive o privilégio de estudar com um grupo essencialmente de anciãos judeus em Jerusalém que conduzem suas vidas de acordo como seus antepassados conduziram milhares de anos atrás. Estas pessoas têm a mente centrada num único objetivo de preservar a sua cultura e costumes, assim como seus pais e avós. Pelos seus olhos eu sou um ganho, um vislumbre de como as comunidades judaicas de muito tempo atrás abordavam a vida em geral e as questões educacionais em particular. Estes judeus tradicionais representam uma mina de ouro.

Eu nunca me esquecerei da noite em que um estudioso tradicional judeu falou sobre a centralização do amor. Enquanto seus alunos, sentados ao seu lado estavam prontos para ouvir e assimilar aquelas instruções, o professor ergueu um grande volume da Torá, abriu-o, e começou a ler: "Veja que eu [D’us] coloquei perante ti a vida e o bom, a morte e o mal; e estou mandando você amar..."

O estudioso de idade avançada parou, fechou seus olhos, pensando profundamente. Então, de olhos ainda fechados, repetiu, "eu coloquei perante ti a vida... e eu estou mandando você amar." Ele trouxe o livro mais perto de seus olhos, piscou os olhos para ver a minúscula impressão, e leu o comentário do sábio espanhol do século 11, Rabino Abraham Ibn Ezra: "Este verso nos ensina que a vida é para amar."

O mestre do talmud fechou seus olhos novamente. Então, repetiu, "A vida é para amar."Toda criatura tem seu propósito, e o nosso é fazer amizades, criar proximidade.

Atenção é a chave

Hoje, meus colegas da UCLA e Harvard estão alcançando os judeus tradicionais de Jerusalém. Os pesquisadores mais antigos acreditam que as crianças são melhores quando criadas em lares em que a vida é para amar, ou seja, em que há amor pela vida. Principalmente as pessoas na universidade estão começando a enfatizar a importância da atenção e do afeto, dois pilares da abordagem judaica tradicional para a criação dos filhos.

O primeiro passo em ser afetuoso com uma criança é ser sensível as suas necessidades e atendê-las. Isto não é uma tarefa fácil. Muitos pais novos estão surpresos pela dificuldade em sustentar a sensibilidade e a atenção durante o dia e a noite. Não temos escolha, pois o amor e a atenção e tudo o que eles representam são cruciais para o desenvolvimento da criança.

Quando estamos atentos às necessidades de uma criança, despertamos uma sensação de segurança e confiança, que os psicólogos chamam de afeto, e este dá as crianças a força interna que precisam para lidar com as tensões que virão mais tarde em sua vida. Quando os pesquisadores em Nova Jersey avaliaram os níveis de afeto em meninos de 1 ano de idade e depois acompanharam as crianças por vários anos, eles viram que 40 por cento dos meninos inseguros no afeiçoamento, mostraram sinais de psicopatologia, comparados a 6 por cento dos meninos que tinham segurança em sua conexão com os pais.

A pesquisa também liga a auto-estima com pais atentos. Além disso, os pais atentos não só produzem filhos que tem uma boa auto-estima como também esta auto-imagem positiva dura por 20 anos. Num estudo em mulheres criadas em Islington, na Inglaterra, investigadores descobriram que crianças criadas por pais mais responsivos tinham duas vezes mais probabilidade de ter imagem própria positiva quando adultos do que aquelas criadas por pais menos responsivos. E crianças que se sentem bem consigo mesmas têm aspirações mais altas, têm um desenvolvimento melhor na escola, ganham melhores salários quando crescem, e lidam com o estresse de forma mais eficaz.

Muitos pais se preocupam com o fato de que muita atenção pode enfraquecer a independência e confiança do filho. Mas, oposto é verdade. "As crianças que experimentam uma satisfação consistente e considerável das necessidades no início não ficam 'deterioradas’ ou ‘dependentes," explica o Dr. Terry Levy, Presidente da “Association for Treatment and Training in the Attachment of Children”, (“Associação para Tratamento e Treinamento de Afeto das Crianças”) "Elas se tornam mais independentes, seguras e confiantes."

As crianças choram menos freqüentemente e por menos tempo depois de seus primeiros nove meses, quando os responsáveis por ela respondem prontamente às suas necessidades durante seus primeiros nove meses. Reciprocamente, as crianças que não recebem atenção suficiente no começo tendem a ser muito grudada aos pais, sofrer de ansiedade na separação, e responder com pânico quando levado a explorar o mundo afora ou quando ficam com pessoas diferentes das que cuidaram delas.

Cuidados na noite

As crianças precisam sempre de respostas sensíveis e isto ocorre principalmente à noite. A combinação de sonolência e escuridão faz com que as crianças se sintam mais vulneráveis. Temos que nos esforçar muito para ficarmos atentos para a angústia/aflição da criança durante a noite.

O ato de ignorar os gritos das crianças de noite está tragicamente ilustrado durante a única experiência cultural moderna em que crianças foram voluntariamente afastadas de seus pais durante as horas de sono. Começando nos anos 30, os pais que viviam em kibbutzim seculares de Israel preferiram que suas crianças dormissem longe de casa, em instalações públicas para crianças. O tamanho destas instalações tornava impossível atender prontamente a toda criança que chorava, mas os pioneiros do kibutz achavam que suas crianças se ajustariam com este fato, de terem menos atenção.

Porém, os estudos comprovaram que as crianças deste kibutz, que dormiam nestas instalações, sofreram de muitas desordens psicológicas, inclusive traumas de privação de afeto, depressão, esquizofrenia, baixa auto-estima, e problemas com álcool e droga. Em 1994, mais de metade das crianças israelitas dos kibutzim exibiram sintomas e psicopatologia associadas à insegurança na afeição, a falta de afeto.

O Professor Carlo Schuengel, um pesquisador da Universidade de Leiden (Países Baixos), repetiu as descobertas de muitos pesquisadores ao descobrir a causa da desintegração psicológica experimentada pelas crianças do Kibutz: "Embora o fato de dormir coletivamente possa permitir a monitoração da segurança das crianças, isso as deixa com uma sensação limitada e precária de segurança."

Como os dados revelados mostraram os danos que as crianças poderiam sofrer dormindo em instalações, os líderes do kibutzim abandonaram a experiência. O última instalação foi fechada em 1998.

Chorar?

Espantosamente, algumas crianças estão sendo expostas a este tipo de experiência em sua própria casa. O programa de treinamento do sono “deixar chorar” oferece aos pais uma alternativa efetiva para os incômodos do cuidado da criança durante a noite. Os psicólogos Behavioristas que estão por detrás deste plano comprovam que quando os gritos da criança durante a noite não são respondidos, elas param de chorar dentro de três dias. Embora o programa tenha sido elogiado como "um novo, método revolucionário de ensino para que as crianças durmam a noite toda”, isto não é nada mais que uma revivificação da desastrosa experiência do kibutz, e o que realmente ensina as crianças é o desespero.

As pessoas são atraídas pelo método do “deixar chorar” pela mesma razão pela qual são atraídas para muitas outras técnicas destrutivas de criar uma criança: elas oferecem uma rápida melhora. Porém, pedagogos inteligentes levam em conta os bens, em longo prazo, de toda as estratégias para criar uma criança. Ignorar o choro da criança durante a noite, pode, eventualmente, trazer tranqüilidade, mas não traz segurança.

Deste modo, crianças treinadas com este método despertam mais freqüentemente durante a noite, dormem menos eficazmente, e ficam mais cansadas durante o dia do que as crianças em que os pais foram mais atentos. Além disso, crianças destituídas de conforto à noite correm o risco de terem vários tipos de psicopatologias descobertas entre as crianças do kibutz.

Criar um ambiente cuidadoso

Os pais mais atenciosos vão muito mais além do que o cuidado durante a noite. Por exemplo, durante o dia, os recém-nascidos anseiam por um olhar de seus pais ou de quem cuida deles. Eles visualizam objetos de 7 a 12 polegadas distante, exatamente a distância necessária para ver os olhos dos pais quando estão em seus braços.As crianças também respondem com prazer e interesse quando lhes mostram uma máscara de um rosto humano. Quando a parte mais baixa da máscara é coberta, a resposta da criança não muda. Porém, quando um olho da máscara é coberto, as crianças expressam desgosto e apatia.

Quando as crianças amadurecem, elas ainda precisam da atenção dos pais. As crianças entre 1 e 3 anos prosperam quando brincamos com elas, e as pré-escolares adoram quando lemos histórias para elas. Não importa muito para a criança do que brincamos ou que história lemos, desde que estejamos lhes dando toda a atenção.

Já as crianças do primário precisam que os pais escutem-nas recontar as aventuras do dia, e freqüentemente repetirão as mesmas histórias inúmeras vezes só para segurar nossa atenção. Elas querem nossa participação nas suas lições de casa e nos seus jogos. Se nossas crianças aprendem que podem contar com nossa atenção mesmo nos anos em que quase não precisam dela, que é no começo, elas continuarão a contar conosco durante a adolescência também.

O ingrediente de afeto

A afeição é muito mais do que somente atenção. A atenção exige que sejamos responsivos às necessidades da criança. Já o afeto é o próximo passo. É o ato amoroso, a maneira mais poderosa de transmitir o amor. Precisamos fazer esforços especiais para colocarmos este ingrediente mágico em nossas interações.

As mães de Uganda tendem a ser mais atentas e responsivas do que muitas mães Americanas. A Dr. Mary Ainsworth, Professora de Desenvolvimento de Criança na Universidade de Toronto e na Universidade de Virgínia, descobriu que as crianças de Uganda são muito mais seguras afetivamente do que as de um grupo em Baltimore. Mesmo que as mães de Uganda não expressam sinas de afeto como abraços ou beijos, os bebês de Uganda muito raramente manifestam qualquer padrão de comportamento próximo ao afeto.

Conter o afeto tem conseqüências. O Dr. Ainsworth descobriu que as crianças que foram privadas de afeto tratavam uns aos outros de modo indiferente. O Dr. Kevin MacDonald, Professor de Psicologia da Universidade do Estado de Califórnia, em Long Beach diz que este tipo de comportamento é previsível. As crianças que crescem em sociedades menos afetuosas expressam menor comportamento social e altruísta. Já os pais mais afetuosos tendem a produzir um comportamento mais social e amoroso.

O afeto também prepara as crianças para a amizade e intimidade. Uma pletora de literatura científica diz que as crianças que recebem mais afeto tendem a ter mais interações positivas e amizades mais íntimas. O Dr. Bowlby fala que as crianças que crescem em ambientes afetuosos tendem a casar e permanecer casados mais do que as criadas num ambiente sem afeto.

Prevenção da delinqüência

Os abraços neutralizam a delinqüência. Assim dizem os pesquisadores do Centro da Universidade Médica de Duke, que compararam históricos de crianças normais com os de delinqüentes. Depois de verificarem uma série de fatores, os pesquisadores de Duque descobriram que a afeição paterna é o ingrediente ativo. Eles concluem sua pesquisa afirmando que, "Os meninos violentos provavelmente não tiveram pais que os abraçasse ou expressassem afeição verbalmente.”

Criminologistas da Universidade de Illinois e Northeast também afirmam que a falta de afeto dos pais é "o prognóstico mais importante da delinqüência crítica e persistente." Os sociólogos da Universidade de Wisconsin e da Universidade do Estado da Flórida ao revisarem a literatura psicológica, também encontraram "ausência de amor, afeto, ou o carinho dos pais" associado a agressividade, delinqüência, abuso de drogas, e a criminalidade.

Preparando as crianças para a bondade

Os psicólogos se diferem em relação ao fato de como o amor cultiva a bondade. Alguns sugerem que as crianças simplesmente estão mais dispostas a aceitar os valores dos pais e professores que têm a figura autoritária mais afetuosa. Outros propõem um mecanismo biológico, argumentando que a afeição desenvolve algumas partes do cérebro responsáveis pela conscientização e internalizacão da orientação moral.

O Dr. Harry Chugani, neurologista do Hospital das Crianças de Michigan, revelou em 1998 que as crianças criadas em ambientes privados de amor mostraram um evidente metabolismo anormal numa área especifica do lóbulo temporal do cérebro que envolve a função social. "Podemos supor," Chugani diz, "que o quê vimos nos testes esta relacionado a negligência, a uma falta de interação materna com a criança numa fase crítica."

Um grupo liderado por Elinor Ames, da Universidade britânica de Simon Framor, em Columbia, conduziu o que muitos julgam ser o estudo mais completo sobre crianças criadas em orfanatos romenos e concluíram sua experiência, "A experiência num orfanato tende a refrear todas as áreas da inteligência [inclusive] a motora, personalidade social e desenvolvimento da linguagem."

Juntando todos os ingredientes básicos do amor, a atenção e o afeto, constituem os fatores mais importantes no desenvolvimento humano. O amor não é apenas um luxo.

Arrumar tempo para o amor

Praticamente, todos esses dados significam que precisamos ter muita atenção e afeto, e que isto leva tempo, mais tempo do que a maioria das pessoas pensa. Uma mãe americana que estudou em Stanford e na Universidade da Califórnia, tendo um grau avançado de estudo, confessou recentemente, "Enfrentei todos os desafios acadêmicos, inclusive escrever minha tese de doutorado, mas nada disso se compara ao desafio que enfrento agora para criar meus três filhos."

Freqüentemente, encontrar tempo para os filhos é o aspecto mais difícil para a educação dos pais. O Dr. Bowlby tratou deste desafio durante sua palestra para a equipe psiquiátrica do Hospital Michel Reese, em 1980:

Cuidar de um bebê ou de uma criança de até 3 anos é como um trabalho de 24 horas por dia, sete dias na semana, e com certeza um dia será mais preocupante do que os outros. E ainda que a carga diminua um pouco quando a criança fica mais velha, se ainda estiverem florescendo, exigirá muito tempo e atenção.

Para muitas pessoas hoje estas são verdades desagradáveis. Dar tempo e atenção para as crianças significa sacrificar outros interesses e atividades. Porém, creio que as evidências do que estou dizendo são irrepreensíveis. Estudo após estudo... atestam que adolescentes saudáveis, felizes e confiantes são os produtos de casas estáveis em que pai e mãe dão muito tempo e atenção para as crianças.

Muito antes de o primeiro filho nascer, devemos estar conscientes do fato de que nossa vida irá mudar dramaticamente, e que sacrifícios deverão ser feitos.

 

Crianças solitárias

Hoje nos Estados Unidos, mais de 60 por cento das mães de crianças pequenas trabalham. Mais de metade dos pais americanos dizem não ter tempo suficiente para cuidar de seus filhos. Realmente, durante os últimos 20 anos, o tempo médio que os pais passam por semana com os filhos diminuiu para 12 horas.

O adolescente americano passa três horas e meia do dia completamente sozinho todo dia, e nas palavras de um repórter da Newsweek, "A solidão pode se estender até a noite. O almoço para esta geração não passa de um toque no botão de esquentar do microondas”.

Os internos pediátricos dos orfanatos da Romênia têm somente 10 minutos de conversação por dia. Um adolescente dos Estados Unidos fala mais ou menos sete minutos por dia com sua mãe e cinco com seu pai. A autora Patricia Hersch, ao descrever as experiências que teve escrevendo um livro sobre a adolescência em Virgínia confessa: "Toda criança que eu falei disse que queria mais adultos em sua vida, especialmente seus pais”.

Perigos da profissão

O Homem tem muito a ganhar e pouco a perder quando sua esposa vai trabalhar. Eles se beneficiam da renda adicional, e são menos sensíveis a solidão de seus filhos do que as mães. Como o professor da Universidade de Yale, David Gelernter explica:

A maioria das mães, suponho, valorizam muito mais os interesses dos filhos, acima do dinheiro, poder ou prestigio, e ainda são assim. E afirmo que os maridos mais típicos têm muito prazer em mandar suas esposas trabalharem. A sociedade costumava impedir que os maridos pressionassem suas esposas (publicamente ou sutilmente) a deixarem as crianças e conseguirem um trabalho. Não mais.

Mulheres, por outro lado, têm um estresse muito grande tentando equilibrar as exigências do trabalho com o cuidado dos filhos. Sem dúvidas, as mulheres têm uma carreira dupla com a casa e o trabalho. A colunista da Times, em Nova Iorque e mãe de dois filhos, Anna Quindlen, fala:

Betty Friedan escreveu em "The Feminine Mystique” (“A Mística Feminina”)" que a pergunta para as mulheres nesses tempos é: “Isto é tudo?" Agora, é claro, nos sentimos diferente. Espero que isto seja tudo, porque não consigo lidar com mais do que isso.

Até a feminista radical de 1960, Sara Davidson, admitiu em 1984, "Como conciliar família e carreira é o assunto crucial não resolvido nas vidas das mulheres." Ela expressa as frustrações de milhões de mulheres quando escreveu, "Passo a maioria do meu tempo com três coisas: bebê, trabalho, e manter o casamento em ordem. Acho que posso lidar com dois maravilhosamente, mas três me levam a exaustão."

A tensão freqüente das mulheres no trabalho tem conseqüências na saúde. Os pesquisadores da Universidade de Duke descobriram que mulheres que trabalham tempo integral com um filho em casa excreta níveis mais altos do hormônio da angústia a cortisona do que os homens ou mulheres que trabalham tempo integral sem crianças em casa. Um estudo com as mães que trabalham tempo integral na Inglaterra descobriu que as mulheres que trabalham possuem 50 por cento mais enfermidades e danos à saúde do que as mulheres que ficam em casa cuidando de seus filhos.

Outros estudos descobriram também que as mães que trabalham recebem "pontuações mais altas para sentirem estresse e a pressão de tempo" entre os adultos dos Estados Unidos, ou seja, apresentam uma "tensão maior" e baixa auto-estima, mais do que as donas de casa com crianças que adotam um padrão de "menos atenção para seu bem-estar e saúde própria" a fim de lidar com o papel de mãe.

As mães que trabalham podem também se privar emocionalmente de seus recém-nascidos, evitar a ansiedade da separação ao retornarem a seu trabalho. "Muitos pais que trabalham se guardam contra a intimidade com suas crianças, o que pode trazer dor quando voltam a trabalhar," diz T. Berry Brazelton, Professor de Pediatria da Universidade de Harvard, "É muito doloroso reconhecer a proximidade somente para depois desistir dela”.

 

Evitar o assunto

Muitos pais que têm essa dupla carreira sabem que há algo faltando, mas a procura por soluções não compromete suas carreiras. O mais velho truque de chamar a vovó não é mais uma opção válida desde que a maioria das avós já trabalham também. Um folheto distribuído pela MCI Telecomunicações oferece alguns serviços tecnológicos: enviar mensagens por fac-símile, fita com histórias gravadas para a hora de dormir, gravar eventos das crianças e mostrar enquanto os pais estão fora. Até mesmo o pai muito ocupado para registrar suas próprias histórias para a de hora de dormir podem contar com a era da informática, especialmente se vive em Nova Iorque, onde há um serviço de contador de histórias por telefone que cobra 0,85 centavos por minuto.

Muitas mães se voltam para o programa de cuidado das crianças, o daycare, mas esta solução falha em duas coisas. Primeiro, o custo é muito alto, e segundo esses programas não oferecem algo de que as crianças mais precisam: atenção e afeto.

Pesquisadores da Universidade de Chicago e da Universidade de Illinois demonstram que muitas crianças normais, de até oito meses, colocadas neste tipo de programa começam a sofrer desordens ao torno dos 12 meses de idade. Eles concluem a pesquisa com uma advertência, "As repetidas separações diárias sofridas pelas crianças cuja mãe trabalha tempo integral constituem um fator de risco para psicopatologias.”

O Dr. Jay Belsky, professor da Universidade do Estado da Pennsylvania, também fala dos perigos de deixar a criança como a “insegurança afetiva, agressividade exaltada, desobediência, e afastamento."

Prover as necessidades emocionais de nossos filhos não é fácil. As crianças precisam de amor. Elas não conseguem prosperar sem nossa atenção e afeto. Se isto exige que organizemos novamente nosso estilo de vida, é algo de qual nunca lamentaremos depois.

Se viver é para amar, então as coisas habituais que os anciãos judeus de Jerusalém enfatizam, como estar sempre presente, dar um abraço e um pouco de carinho é, realmente, um grande negócio.