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Sucot - O feriado universal A essência de Sucot é viver com D'us, não questionar, e sim, aceitar e confiar. O Talmud conta que, no futuro, quando os pagãos reclamarem com D'us sobre Seu modo preferencial de tratar os judeus, Ele lhes dirá que isso se deve ao fato dos judeus terem aceitado e seguido a Torá. Eles não se caracterizam por serem "O Povo Escolhido", mas sim por terem escolhido seguir as leis de D'us. Os pagãos, então, alegarão: "Ofereça-nos a Torá novamente e nós a seguiremos". "Como vocês são tolos", Deus responderá, "aquele que prepara com antecedência o Shabat pode comer no Shabat, já aquele que não fez nenhuma preparação, o que ele poderá comer? Entretanto, eu tenho um mandamento fácil chamado Sucá, vão e cumpram-no..." Por que é um mandamento fácil? Pois não possui nenhuma despesa. Imediatamente cada um construirá uma barraca, uma Sucá, em seu telhado, e D'us fará o sol brilhar como se fosse o solstício de verão. Então, cada um chutará sua Sucá, e partirá... Logo após, D'us rirá, como está dito, "Ele que fica no céu e ri". (Talmud - Avoda Zara 3a). Embora esta passagem seja difícil por várias razões, gostaria de focalizar um de seus temas principais: os pagãos não conseguirão cumprir o mandamento da Sucá. É algo estranho pois, de todos os feriados, Sucot foi visto como o mais universal, rodeando todas as nações do mundo. O Talmud ensina: Rashi comenta: Indo para Jerusalém Todos os que restarem de todas as nações que vierem contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Eterno e para celebrar a festa das cabanas. Se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, não virá chuva sobre ela. (Zacarias 14:16) Esta passagem da profecia de Zacarias descreve o resultado das batalhas apocalípticas, quando as nações derrotadas celebrarão Sucot. Esta aumenta a dificuldade do que foi citado no Talmud previamente. Embora o Talmud contenha muitas explicações de ensinos bíblicos, ele não apresenta nenhum mandato para discutir com os profetas. Nossa pergunta, então, é bastante simples: Como o Talmud pode nos dizer que, no futuro, os pagãos não poderão cumprir os mandamentos de Sucot, sendo que o Profeta nos diz claramente que eles sim o farão? Eu acredito que na resposta desta contradição está a essência de Sucot. Existem dois aspectos distintos para o feriado de Sucot, representados por dois mandamentos da Torá: "E falou o Eterno a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: aos quinze dias deste sétimo mês, Festa das Cabanas (Chag Hasucot) será por sete dias ao Eterno. No primeiro dia haverá santa convocação, nenhuma obra servil fareis (...) no oitavo dia, haverá santa convocação para vós (...) é uma Festa de Reunião ("atseret"), nenhuma obra servil fareis". (Levítico. 23,33-36). "...o primeiro dia será dia de descanso ("Shabaton"). E tomareis para vós, no primeiro dia, o fruto da árvore formosa (etrog), palmas de tamareiras e ramos de murta e de salgueiro de ribeiras, e vos alegrareis diante do Eterno, vosso D'us por sete dias" E celebrareis esta como Festa ao Eterno, por sete dias cada ano, estatuto perpétuo, pelas vossas gerações (...). Nas cabanas habitareis por sete dias (...) para que as vossas gerações saibam que fiz habitar os filhos de Israel em sucot, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Eterno vosso D'us. (Idem23, 39-43). A Torá fala, por um lado, em levar quatro espécies de fruta em tempos de colheita e, por outro, de sentar-se na Sucá, como as pessoas que deixaram o Egito fizeram. Vemos, então, dois mandamentos: 1) pegar as quatro espécies e 2) viver em barracas. Um mandamento tem ímpeto agrícola e o outro, histórico. O aspecto agrícola do feriado é claramente universal, enquanto o aspecto histórico é particular aos judeus. Os dois mandamentos de Sucot De fato, toda celebração que acontecia em Jerusalém em Sucot estava conectada à água, incluindo as orações para a chuva e a cerimônia de Simchat Beit HaShoevá. Esta também era uma cerimônia conectada à água, sobre a qual a Mishná diz: O verso fala em "alegrar-se perante D'us", referindo-se ao Templo em Jerusalém. Sucot era celebrada somente em Jerusalém. Junto com as quatro espécies, os judeus vinham para o Templo e rezavam por mais chuva e generosidade. [As quatro espécies eram usadas no Templo em todos os sete dias de Festa. No restante da Terra de Israel, elas só eram usadas no primeiro dia. Os rabinos legislaram o uso das quatro espécies para a duração total de Sucot até fora do Templo]. O simbolismo de barracas A reza para a chuva Porém, o outro aspecto de Sucot, a construção da Sucá, algo que o Talmud chama de uma "simples mitzvá", é o que a experiência religiosa pagã achou tão estranho. Aqui não há nenhum pragmatismo, somente confiança. Confiança e amor. A Sucá é a testemunha daquele amor, expressado simplesmente estando "com D'us", transcendendo o físico. Talvez se minizarmos o físico a idéia se torne estranha para a mente pagã. Os pagãos estavam acostumados a ordens difíceis que envolviam o ato de dar, sacrificar algo querido, com o objetivo de causar a generosidade dos deuses. Reciprocamente, o Talmud relata o que D'us disse: Eu tenho uma simples mitzvá, uma "mitzvá fácil," que não envolve nenhuma despesa. Mas o Rabino não diz que quem está aborrecido (pela Sucá) é livrado da obrigação dela? De acordo com a lei judaica, alguém extremamente aborrecido pela Sucá está isento; então os pagãos que se achavam aborrecidos na Sucá foram tecnicamente isentos. Isto é o aspecto mais estranho para as idéias pagãs: se um d'us pede algo difícil, você está isento? A resposta dos pagãos foi chutar a Sucá, como se falassem: "Chega. Como um homem espera se relacionar com este tipo de d'us?". Por isso, então, Sucot é uma experiência exclusivamente judaica: viver com D'us, lembrar os dias de nossa juventude, quando seguíamos D'us como noivos cegos de amor, não questionando, e sim, aceitando e confiando. |
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