Rabino Nechemia Coopersmith
Explorar o Judaísmo significa aprender idéias novas e esquecer as erradas.
Apresentamos quatro concepções erradas comuns que muitos judeus têm sobre o Judaísmo.
1) "Judaísmo é “ou tudo ou nada"
Todos estes mandamentos para cumprir? Você deve estar brincando.
Muitas pessoas pensam que se não podem cumprir todos os mandamentos, não há razão para começar.
Mas, será que isto é verdade? O Judaísmo tradicional é “ou tudo ou nada”?
Imagine se você tropeçar numa mina de ouro. Você deixaria o ouro porque não sabe se encontrará TODAS as minas de ouro do mundo? Aquela única mina o tornará rico para o resto da vida!
Toda mitzvá é como uma mina de ouro. Mesmo que façamos somente parte de uma mitzvá, nossas vidas são enriquecidas para sempre.
O Judaísmo é um processo, uma jornada, onde todos os passos contam.
Não é “ou tudo ou nada”.
Tudo o que for possível fazer agora já conta, e é ótimo!
Faça.
Um passo de cada vez
2) "Alguns judeus são melhores do que outros"
Já encontrou algum judeu que olha diferente para todos que são menos religiosos do que ele? Ele pode ser condescendente, sensato ou quer excluir os outros do Judaísmo.
Mas, de acordo com a Torá, será que sabemos quem é um "bom judeu"?
Se um terrorista ordena ao maior rabino da Terra que mate um ladrão ou então ele morrerá, o rabino está proibido de matar, mesmo que seja para salvar sua vida. Por que? A vida do rabino não é mais importante aos olhos de D’us do que a vida de um criminoso?
O Talmud diz: "Ninguém sabe qual sangue é mais vermelho."Ninguém pode julgar o valor de outra pessoa, pois ninguém conhece onde esta pessoa está situada na escada de vida, onde começou e quantos degraus já subiu. Talvez o ladrão, dadas as circunstâncias de sua vida, fez escolhas maiores e mais difíceis na vida do que o destacado rabino.
A melhor política para todos nós é parar de julgar um ao outro e ao invés disso respeitar o próximo.
3) "A religião tira toda a diversão da vida"
O Judaísmo se refere a D’us como nosso Pai no Céu.
Assim como nossos pais querem que tenhamos tudo de bom, o Topo-poderoso quer o mesmo para todos nós, que tenhamos todo o prazer que pudermos ter!
A palavra "Torá" quer dizer "instrução", pois contém instruções para toda a vida. Os computadores vêm com grandes manuais de instrução e sem eles estaríamos perdidos. A vida é muito mais complicada e se quisermos aproveitar o máximo dela, as instruções com certeza fazem a diferença.
D’us não nos pede para rezar porque precisa reforçar Seu ego. Por quase três mil anos a Torá tem nos ensinado como construir uma vida significativa e prazerosa ao máximo.
Não se contente somente com os pedaços, pois você pode conseguir o conjunto completo, uma realização completa.
É o quê o Judaísmo está aqui para ensinar.
4) "Ser religioso é uma fuga"
"É um suporte."
"Uma vez que se é religioso você pára de pensar."
"Ser religioso exige que acreditemos em algo que não é fácil de acreditar."
Longe de ser uma fuga, o Judaísmo ensina que somos responsáveis pelo mundo inteiro. O Talmud diz que cada pessoa deve sentir que "o mundo foi criado para ela e é sua responsabilidade tomar conta dele."
Nossos heróis são os virtuosos e os sábios, pois, por milhões de anos, os judeus têm um caso amoroso com o saber sobre a vida e o esforço para crescer. A Torá é um guia e o padrão para a conduta ética, mas aí vem a parte mais difícil: aplicar estes princípios morais e corresponder a estas expectativas na sociedade e no dia-a-dia.
E o fato de acreditarmos em algo difícil de acreditar? Não é judaico. O primeiro dos Dez Mandamentos é saber que existe um D’us ao invés da aceitação cega. Ser um intelectual honrado, não um produto da sociedade. Ouça os indícios e comece a construir uma fundação racional para suas crenças, sejam elas quais forem.
Esclarecer estas concepções erradas é um bom começo para descobrir o quê é realmente o Judaísmo.
Baseado numa aula dada pero Rabino Noah Weinberg
Publicado no domingo, 23 de janeiro de 2000.