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PESSACH - Uma introdução da Hagadá - Por que lemos a Hagadá? por Rabino Shimon Apisdorf Colocando o Seder em perspectiva De Jacob, Rachel, e Leá veio uma família de 70 pessoas que, devido à fome em Israel foi forçada a migrar para o Egito. No Egito, a família cresceu e prosperou tanto que começou a ser vista como uma ameaça aos anfitriões egípcios. Respeito e admiração viraram desprezo e, finalmente um programa organizado de escravidão e opressão. Depois de 210 anos, e uma série de advertências de Moisés ignoradas pelo Faraó, ato que resultou nas Dez Pragas, D’us libertou a nação que cresceu de uma família original de 70 pessoas. Sete semanas mais tarde esta nova nação concebida recebeu a Torá no Monte Sinai. A Hagadá é a história do nascimento dos judeus como um Povo. Lida principalmente com os eventos ocorridos no Egito que levaram da escravidão à libertação, entretanto também se estende ao período inteiro de Abraão até a entrega da Torá no Monte Sinai. Pode-se dizer que a Hagadá é a nossa certidão de nascimento nacional como também nossa Declaração de Independência. Bem mais que somente um documento histórico, também fala dos ideais e valores que constituem a essência de nossa consciência e identidade nacional. A palavra hagadá significa relatar, narrar, contar. A Hagadá é uma narrativa vívida situada num contexto de diálogo entre pai e filho. Pessach, com a Hagadá como seu enfoque principal, diz a todo judeu três coisas: quem, de onde, e para que estamos aqui. A mensagem inerente na Hagadá é a de que a continuidade e a identidade judaica depende do encorajamento dado às crianças para fazerem perguntas, e se prepararem, assim como seus pais, a darem respostas sensíveis e substanciais. No judaísmo ser uma pessoa estudada, instruída e sábia não é somente uma meta, é um pré-requisito. www.leviathanpress.com Colocando o Seder em perspectiva Rabino Shraga Simmons Esta história é sobre Dan e Bob, duas pessoas sem lar que conversam numa tarde. Dan disse: "Você sabe que dia é hoje à noite? É o feriado de Pessach. É quando os judeus têm um grande banquete, o Seder. A comida é gostosa e o vinho delicioso, e tudo é servido de maneira elegante. Eu fui a um Seder no ano passado e foi incrível. Tudo o que você precisa fazer é ir à sinagoga hoje à noite, e quando os serviços terminarem, alguém convidará você para ir a sua casa." Naquela noite, os dois amigos ficaram atrás da sinagoga esperando. Então, quando os serviços terminaram, cada um deles foi convidado para o Seder em diferentes casas. "Boa sorte," disse Dan, "você vai adorar." No Seder, Bob estava realmente agitado. Estava com fome e não tivera uma comida caseira em meses. Sentia o cheiro delicioso de comida que vinha da cozinha. Sentou-se pacientemente conforme a família lia num idioma que não entendia. Estava ficando cada vez mais faminto. Até que, finalmente vê um prato de comida sendo distribuído. Mas eram só pequenos pedaços de aipo (para algumas pessoas salsão, para o "Carpas"!) Depois deste, a família voltou a ler o livro. Uma hora se passou e Bob estava morrendo de fome. Estava disposto a comer qualquer coisa. Finalmente, distribuíram um pedaço de Matzá e Bob pegou um pedaço bem grande. Então, numa tigela, foi servido um legume branco e Bob colocou um montão em seu prato. Colocou tudo na boca e... FOGO!!! A erva amarga queimou sua boca e estômago, e ele saiu da casa gritando e praguejando. Mais tarde naquela mesma noite, Bob e Dan se encontraram novamente. "Estou tão bravo com você,"gritou Bob. "Você me mandou para um Seder e foi horrível”. "Do que você está falando?" disse Dan. "Na casa em que eu fui, teve um peixe incrível, sopa, galinha, kigel e sobremesa! Tudo o que tinha que fazer lá era esperar e você teria conseguido também!" Esta história apreende o tema da noite de Pessach. De um lado, é uma metáfora para a dramática reviravolta de eventos que os judeus experimentaram no Egito. Foram da amargura da escravidão à glória da liberdade, tudo num dia. Por isso, quando nos sentirmos escravizados e com dor, lembre-se de que D’us pode nos redimir num piscar de olhos. Por outro lado, esta história é uma boa introdução para o Seder propriamente dito. O Seder começa com as ervas amargas e vai até o grande banquete. Mesmo que às vezes a Hagadá pode parecer longa, agüente firme. A comida já está a caminho! (história atribuída pelo Rabino Nachman de Breslov) Lições para a vida Rabino Stephen Baars Cada feriado judaico é uma lição de vida. Qual é a lição de Pessach? A liberdade. É o tipo de liberdade que deu ao povo judeu o poder de sobreviver e prosperar. Não é uma liberdade de corpo tanto quanto uma liberdade de espírito. E esta liberdade está acessível nos tempos de Pessach para ajudá-lo a conseguir o que quiser.A pessoa que conhece a liberdade verdadeira não vê limites e alcança o que desejar. Elas estão livres para mudarem a si mesmas e o mundo! Em Sucot, o feriado da alegria, há um enfoque na necessidade de aumentarmos nossa alegria. Em Rosh Hashaná, nós comprometemos a trabalhar em nossas metas. Em Iom Kipur, o enfoque está na sensação de arrependimento e retorno ao lugar da onde deveríamos estar. Em Pessach, o feriado da liberdade, todos pensam que estão livres. O desafio de Pessach é perceber que isto pode não ser verdade. A escravidão tem muitas formas; nem todas as algemas são feitas de ferro. Quando a escravidão se torna um estilo de vida, o escravo passa desapercebido por própria servidão. Pessach é uma "experiência virtual" da liberdade, e a Hagadá é o nosso guia de viagem. Ela ajuda todo o judeu a revelar sua própria "escravidão." O Seder é um seminário de como ser verdadeiramente livre e, na noite de Pessach, podemos reviver a transformação de deixar o Egito, da escravidão para a liberdade. Além dos eventos principais de Pessach, se desenvolveu o maior e mais longo império do mundo. Não se trata de um império físico, e sim de um império de pensamento, O Pensamento Judaico. A história de Pessach é a do início do povo judeu, e este povo determinou uma “nova ordem mundial”, com novos conceitos de vida e moralidade. O “velho mundo” era pagão, e a guerra e violência não eram somente um modo de vida, mas um passatempo nacional freqüente. O mundo que o povo judeu profetizava incluía idéias comuns, as quais todos se familiarizavam: direitos iguais, educação universal, responsabilidade social, e paz para a humanidade. As experiências vinham através de dois modos: experiências do corpo, e experiências da mente. Pessach é um feriado da “mente”. Temos que estar livres, não de um opressor físico, mas de um espiritual, mental. As idéias podem nos escravizar. Pressões, limites impostos por nós mesmos, todos estão em nossa mente. Para se livrar deles, devemos, primeiro, entendê-los. E antes disso, estarmos conscientes das coisas que nos escravizam no nível do subconsciente. É por isso que a Hagadá nos encoraja a fazer perguntas para exercitar nossa mente. À medida que encontrar perguntas ao longo da Hagadá, é preciso levá-las a sério. Tente respondê-las e encoraje os outros a fazerem mais perguntas. Dê a cada um dos convidados alguns doces antes do Seder começar, de forma que possa dar um doce para quem fizer uma boa pergunta. Este é um modo particularmente efetivo de manter as crianças interessadas. A base é que o Seder seja importante, não sem vida e chato. Leia adiante, se familiarize com o texto e procure por perguntas interessantes para discutir durante o Seder. Circule aqueles pontos que quer ler em voz alta durante o Seder e escreva seus próprios comentários. Discuta as idéias de um modo profundo e significante. Só não se apresse no texto para poder chegar à comida! Um bom caminho para começar seu Seder é pedir a todos para recordar suas experiências de infância sobre o Seder. Se todos no Seder estiverem pensando, então o seminário da Hagadá certamente mostrará como ser verdadeiramente livre. Posso pular as partes chatas? Rabino Shimon Apisdorf A leitura da Hagadá inteira é a forma para uma pessoa cumprir sua obrigação de falar sobre o êxodo do Egito na noite de Pessach. A fim de que percebamos os benefícios desta mitzvá, deve-se ler e entender o texto completo da Hagadá. O quê significa que, se por acaso, a pessoa não entende a língua hebraica, não deve ler em hebraico. E também implica no fato de que além de entender as palavras, deve haver um esforço para distinguir seus significados e mensagens mais profundas. Solte sua imaginação e pense: você acabou de ter um encontro maravilhoso com o mais adorável extraterrestre que podia encontrar. Uma conversa ocorreu (entretanto, nenhuma palavra foi realmente falada) e obviamente seu encontro foi com um ser de inteligência superior cuja compreensão penetra as variadas camadas da vida e do universo. Como um presente de partida, você fica com um livro, mas há uma condição: em vinte e quatro horas este desaparecerá misteriosamente.Agora pergunte a si mesmo: durante estas 24 horas, quanto tempo passará fazendo comida, comendo, assistindo televisão ou dormindo? Ou... imagine que enquanto procurava algo no sótão de sua casa, encontra, num canto abandonado, um manuscrito escrito por seu bisavô. Você não ficaria curioso para ver o que está escrito nele? E se as linhas iniciais começam assim: “para o meu querido neto, este é o livro mais importante que lerá em sua vida. É sobre o modo de vida judaico e a sabedoria de vida escrita por um judeu que dedicou toda sua vida à procura da sabedoria. Inúmeras horas foram devotadas para encontrar as palavras e pensamentos que, com certeza, servirão como um guia fiel para a vida e como a chave para sua liberdade...”. As páginas amareladas daquele manuscrito são as eternas folhas de toda Hagadá. O bisavô é a sabedoria coletiva de nossos maiores sábios. Você é o herdeiro destas palavras. Uma mensagem sobre o significado da existência judaica, sobre a vida, e, acima de tudo, a liberdade. E tudo o que você tem é uma noite. O legado da liberdade é uma descoberta sua. (do "Kit de Sobrevivência da Hagadá de Pessach”, “Passover Kit Haggadah”, www.leviathanpress.com) |
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