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O Presente de estar solteiro

Leah Kaplan

A preparação para encontrar nossa alma gêmea é o momento de desenvolver a vontade de ser “doador”.

Quando eu tinha cinco anos, queria biscoitos. Quando tinha 10 anos, queria ir a todos os lugares que minha irmã mais velha ia. Aos 16, queria que o sino tocasse mais tarde, um convite para uma formatura, a licença para dirigir e as chaves do carro. A interminável lista de coisas que desejei durante aqueles anos incluía: um diploma da faculdade, conseguir um belo bronzeado, um emprego, um emprego melhor do que o que tinha, um aumento no salário, um namorado, um namorado melhor do que aquele, um marido, um filho, saúde, um relacionamento melhor com meus pais, com D’us e a paz no mundo.

Hoje em dia, quero mais tempo, mais sono, mais espaço para armazenamento e bem...alguém.

A vida é assim. Vamos de um desejo para o outro. Vivemos num estado constante de “querer”.

Nós somos criaturas de desejo, ou seja, sempre desejamos alguma coisa.

Depois que conseguimos o que buscamos, partimos para o próximo desejo. E isto não é nem bom nem ruim. Nossos desejos podem se tornar o foco de nossa existência, ou ser uma meta que queremos atingir, mas não estamos limitados por elas.

Querer, ter em foco seus objetivos é uma coisa positiva. Pode nos ajudar crescer. O desejo do bebê por um brinquedo que está fora de seu alcance o motiva para que aprenda a rastejar até o brinquedo.

Mas o ato de “querer” também pode ter um efeito negativo. Focalizar num objetivo para o futuro pode nos afastar do “aqui e agora”. Desviar a atenção do presente pode roubar o potencial que temos neste exato momento. E não importa se o que você quer é nobre, valioso ou traga benefícios positivos. Faz com que o presente seja ignorado, o que é um aspecto negativo.

A PESSOA SOLTEIRA

Se o seu objeto de desejo é o casamento, você passaria muito tempo preocupada com o futuro. Pode sentir que a vida real ainda lhe espera lá fora, assim que encontrar a pessoa ideal. A vida que vive agora é só um cenário temporário, até a sua vez de subir no altar chegar e uma vida nova começar, a que sempre desejou.

O perigo desta situação é que pode perder o seu potencial neste exato momento. Este perigo, de focalizar somente no que queremos em detrimento de reconhecer o potencial de nossa situação atual, existe muito mais para as pessoas solteiras do que para outros que não têm o que desejam. Querer não é igual a desejar, ou seja, ansiar por algo significativo perante a sociedade e a nos mesmos.

Bem-vindo ao mundo dos solteiros.

A palavra “solteiro” propriamente dita categoriza um grupo inteiro pelo que lhes falta, pelo que buscam. Significa sozinho, separado de seu objeto de desejo. Quando olhamos para um outro grupo que não possui o que deseja, estes não são chamados “sozinhos”. Você conseguiria descrever uma pessoa que quer ter alguém e está solteira?

E é por isso que é tão importante entender o momento presente, a procura por seu companheiro tem um certo potencial para o crescimento que nunca existirá novamente em qualquer outra fase de sua vida. O agora é uma oportunidade. O agora é um presente.

Mas se estiver muito preocupado em se casar, poderá sentir falta de aproveitar melhor este tempo de sua vida.

QUAL É O OBJETIVO?

O primeiro passo para perceber o potencial do momento é ter em mente que não existem acidentes. Você não está solteiro por acaso. Deve haver uma razão, um propósito. D’us sabe e pode resolver as coisas. D’us é bom. Ele decidiu que agora, neste momento, isto é o melhor para você. Então, se Ele não estiver fazendo as coisas conforme você gostaria que fosse, é porque deve haver algum sentido e potencial na situação em que está.

Com a finalidade de aprender o que ser é solteiro, vamos olhar para o primeiro solteiro que já existiu, Adão:

Classificados: homem solteiro, muito espiritual, está na Terra, gosta de jardinagem e não gosta de serpentes. Busca companheira para passar a vida, igualar-se a ele, desafiá-lo, ajudá-lo a crescer e mantê-lo no caminho correto.

A humanidade foi criada em dois estágios. O primeiro ser (Adão) era hermafrodita. Tudo que era masculino e feminino existiam num só corpo. Um corpo, uma alma. Então D’us fez uma declaração muito interessante: "Não é bom que esteja o homem só" (Gênesis 2:18).

Até agora na criação, o comentário de D’us é que tudo é bom, o que significa que tudo o que foi criado tem o que necessita e faz o que foi criado para fazer. Mas, o homem não. A solidão do homem o afastará de cumprir seu potencial.

O segundo estágio da criação humana é a divisão entre masculino e feminino. Tudo o que é feminino, fisicamente e espiritualmente, é separado do primeiro ser humano (Adão) e colocado em seu próprio recipiente (Eva). Agora o homem não está só. Ele tem uma esposa.

Por que D’us não criou Adão e Eva como seres separados logo no começo? D’us não comete erros; então, deve ter havido um propósito para a criação do Adão como solteiro.

Durante o tempo em que esteve solteiro, Adão passou por um teste, a pedido de D’us, de nomear todos os animais. Nomeando cada um dos animais, entendeu a essência de cada criatura e percebeu sua singularidade entre elas. Adão foi criado B 'tzelem Elokim: à imagem de D’us. Já que D’us não tem forma, a palavra "imagem" não pode tem um significado literal. Refere-se a nossa habilidade de se relacionar com o próximo, nossa capacidade de se preocupar e ser “doador”. Este é o significado da imagem de D’us.

O DOADOR HUMANO

A habilidade de dar não dava para se expressar somente quando Adão existia. Estando solteiro não tinha ninguém para dar.Ele precisava de um ser igual a fim de expressar este nível de “dar”. A criação de Eva foi a criação da sociedade (não apenas a criação das mulheres) e da habilidade de dar significativamente.

D’us não criou somente a habilidade de dar. Ele criou o que precedeu esta habilidade o desejo, a vontade de dar. "Não é bom que esteja o homem só". Durante o tempo de solteiro descobrimos que precisarmos dar. E este é o tempo de desenvolver nossa vontade de sermos “doadores”.

Este é o "agora" para pessoa solteira. Quando se está solteiro é o tempo para desenvolver a vontade, a ânsia, o desejo absoluto de dar. É da onde vem a dor de ser solteiro.Ter consciência da necessidade de dar, e não ter a oportunidade de fazê-lo.

O ato real de ser “doador”, é olhar para as necessidades de outras pessoas. Saber entender as necessidades reais de uma pessoa é a primeira habilidade exigida para um casamento bem sucedido. Dar só é significativo quando levamos em consideração o que a pessoa precisa, e não o que pode dar. Quando houver um enfoque nas necessidades dos outros há um desenvolvimento da sensibilidade em relação a eles. Você cresce no mundo da pessoa e começa a entendê-las num nível muito profundo.

Este é o tempo para praticar o ato de ser “doador”. Procure oportunidades para se desenvolver como um doador. Existem pessoas pobres? Doentes? Um vizinho de mais idade? Um parente sozinho? Saia de seu mundo e olhe como a outra pessoa pensa. Este é o primeiro passo para ser um doador significante, se tornar "você" e se preparar para receber seu companheiro.

O tempo é agora.

Baseado numa palestra do Rabino Yitzchak Berkowitz