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Odisséia espiritual O Nazista e seu Neto Judeu Dr. James David Weiss Só de pensar no fato de meu pai ter tido um papel essencial na matança dos judeus, me faz pensar que toda a família esteja envenenada pelo mal. Reimpresso com permissão da "Vintage Wein" – toda a genialidade e sabedoria reunida do Rabino Berel Wein, publicado pela Shaar Press, escrito pelo Dr. James David Weiss. Numa viagem de visita a Israel, o Rabino Berel Wein acompanhou os serviços matutinos numa sinagoga em Jerusalém. Ele conta que, diferentemente de sua própria sinagoga, onde há bancos em frente à sinagoga, esta tinha mesas e bancos, o que o forçava a olhar para aqueles que rezavam em sua frente. Um homem alto, de olhos azuis, cabelos loiros e três crianças loiras entraram e se sentaram em sua frente. O rabino Wein estava tão acostumado a diversidade racial dos cidadãos em Israel, que poucas coisas lhe surpreendiam, mas esta foi diferente. Aquela família em particular era, definitivamente, ariana. Mais notável do que suas características raciais era a seriedade e intensidade com que rezavam. As crianças se comportavam bem e seguiam o serviço com muito respeito e concentração. Para o Rabino Wein, que estava acostumado com crianças americanas, esta era uma experiência fora do comum. Depois do serviço religioso, o rabino comentou este fato com um amigo, que parecia ser uma boa pessoa.Ele lhe disse que o homem era um microbiologista na Universidade Hebraica e tem uma história extraordinária para contar. "Você gostaria de ouví-la?" Ele perguntou, e sem esperar por uma resposta, chamou seu amigo: "Avraham, este é o Rabino Berel Wein. Tenho certeza de que adoraria ouvir sua história." Os dois se cumprimentaram e concordaram em caminharem juntos para casa. Conforme iam para casa, o Rabino ouviu esta história: "Eu nasci e fui educado na Alemanha. Meu pai era um oficial na elite da Gestapo responsável pelos assassinatos, o Todtenkopf (Pelotão de Matança). Ele serviu ao longo da guerra e depois escapou sem nenhuma preocupação. Mas seus crimes eram tão odiosos que anos mais tarde, a República Ocidental alemã continuou perseguindo-o. Finalmente, foi pego e preso por dez anos. Muito tempo depois, por já estar velho, reduziram sua pena e o deixaram ir embora depois de quatro anos e meio. "Meu pai nunca falou sobre seu passado, e quando foi pego, li sobre seus crimes no jornal. Foi uma experiência desconcertante descobrir que meu pai teve uma vida tão monstruosa. "A família ficou abalada pelas notícias. Eu era somente um adolescente e fiquei muito confuso com tanta notoriedade. Quando fomos visitar meu pai na prisão, não consegui entrar para vê-lo. Sentia-me traído. Porém, em alguma coisa isto tudo me ajudou: cresceu enormemente meu interesse na Guerra e descobri tudo o que pude sobre o Todtenkopf e seu papel no Holocausto. “Tudo isso aconteceu na época em que ocorria o julgamento de Eichmann, e o material do Holocausto começava a ser publicado. Eu li tudo que pude encontrar e consegui formar um panorama, ou melhor, um retrato geral do que aconteceu aos judeus. O que descobri me horrorizava e o fato de meu pai ter tido um papel importante nisso tudo fez com que pensasse que talvez, minha família estivesse envenenada com toda essa maldade. Se a situação fosse a mesma, será que eu também não me tornaria um assassino?”. “Fiz uma viagem, fui o mais longe possível da Alemanha. Era como se a Alemanha e tudo o que era alemão me perseguisse. No caminho, decidi visitar Israel para ter algumas perspectivas em relação às vítimas dos nazistas e descobrir o que esta nação tinha de tão especial para Hitler. Tive que entrar em acordo com o que sentia dentro de mim, e viajei pelo país, trabalhando periodicamente em instalações agrícolas”. "Enquanto estava num kibbutz, vi um cartaz anunciando um programa de verão de zoologia deserta na Universidade Hebraica e me inscrevi. Me saí muito bem e no outono pude me matricular num programa de graduação na universidade. Enquanto me dedicava à graduação me interessei pelo Judaísmo. "Gostei tanto de Israel que acabei ficando e solicitei minha cidadania. E também, depois de mais ou menos dois anos aprendendo sobre o Judaísmo, decidi estudar para me tornar um judeu. Alguns anos mais tarde, ganhei meu Ph.D. em microbiologia e me converti ao Judaísmo. Me casei e me instalei em Jerusalém. Minha esposa era uma alemã luterana, mas também se converteu. Um psicólogo poderia interpretar minha conversão como purificação para meus sentimentos de culpa, mas prefiro pensar nisso como se cumprisse meu destino judaico. Não me pergunte como ou por que, mas aqui estamos: uma família judia observante. E somos muito felizes vivendo como judeus. "Há um ano atrás, soubemos que meu pai não estava muito bem. Minha esposa achou que seria um mitzvá visitá-lo e lhe mostrar seus netos. A princípio, fiquei apreensivo sobre o fato de voltar a Alemanha, um país que tanto temia. Mas, no fim, pedi licença do trabalho e voltamos para Darmstadt para visitar meu pai. “Foi uma cena impressionante. Meus filhos vestiam seus yarmulkas (kipot) e as franjas do tzitzit estavam aparecendo. As peyot (cabelos que ficavam de lado) estavam enrolados em volta de suas orelhas e, é claro, eles falavam em hebraico”. “Quando ele nos viu, primeiramente se sentiu completamente dominado por algum sentimento, e não conseguiu abraçar ninguém. Mais tarde, conseguimos conversar com ele. Parecia estar contente pela maneira como as coisas aconteceram”. “Meu pai está muito velho agora, mais de noventa anos, e eu queria saber o que fez para merecer uma vida tão longa e com tantos netos, então pedi para me falar o que fez para ganhar este destino”. "Eu lhe expliquei que nós, judeus, acreditamos que existem conseqüências para o que fazemos, e o sistema de recompensa em vida é cuidadosamente medido. Ele olhou para mim e ponderou sobre a pergunta. "E respondeu: “Eu não posso pensar em nada muito notável, mas, uma vez, em Frankfurt, quando reuníamos os judeus, tive a chance de salvar a vida de três meninos judeus que estavam escondidos num orfanato católico. Por alguma razão, simpatizei com eles. Estava comovido pelo estado em que estavam; perdidos e abandonados.Senti pena deles, então os deixei fugir. Não sei o que aconteceu com eles. Mas, não os matei.” "Eu meditei sobre sua resposta e disse a ele que de acordo com nossa tradição sua resposta fazia sentido. “Sabe, papai, da mesma forma que, se tivesse deixado quatro meninos fugirem, teria quatro netos.'" Trecho de "Vintage Wein" – toda a genialidade e sabedoria reunida do Rabino Berel Wein, pelo Dr. James David Weiss. Visite o site de visita da web do Rabino: www.rabbiwien.com |
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