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Líderes e Super-heróis

Daniel Saltzberg

Podemos aprender muitas coisas sobre várias culturas através de seus super-heróis. Temos Richard, “O Coração de Leão”, William, “O Conquistador”, e Conan, “O Destruidor”. E então vem Moshé Rabeinu, "Moisés, nosso professor."

Seu povo esteve face a face com a destruição. Eles enviaram uma criança recém-nascida, colocando-a numa cesta para assegurar sua sobrevivência. Ele nasceu para ser um herói, um salvador, capaz de alcançar feitos que nenhum homem comum alcançaria.

Moisés? Ou Super-homem?

Pode ser qualquer um dos dois. O super-homem foi desenhado por dois meninos judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster, e foi baseado em Moisés. Foi divulgado que os quadrinhos do Super-homem nunca foram desenhados na quinta-feira à noite, pois a Sra. Siegel precisava de sua tábua de pão para fazer a chalá de Shabat!

Um herói representa as qualidades que as pessoas admiram e desejam ter. Ele é o tipo de pessoa que as pessoas querem olhar com admiração e respeitá-la como um líder.

Se olharmos para os heróis e super-heróis de diferentes culturas, aprenderemos muito sobre elas.

O SUPER-HERÓI AMERICANO
Vamos pegar o super-herói americano moderno. Ele é alto, bonito, fisicamente poderoso, e possui excelentes habilidades para lutar.

A modelo atual de super-herói é seu próprio chefe (compare o Batman moderno com o dos anos 70). Ele irradia um poder e uma presença extraordinária. Em algumas ocasiões, até possui superpoderes; e seu alter-ego, que esconde sua identidade secreta, não é lá pouca coisa. Ele tem ótimos recursos financeiros e procura por uma carreira de alto poder.

Enquanto isto é levado ao extremo para os super-heróis das crianças, também é verdadeiro no mundo adulto. Franklin Roosevelt nunca foi fotografado em uma cadeira de rodas. O sucesso da Bill Clinton certamente pôde ser atribuído, em parte, por sua grande presença física.

(Num desenho de Dilbert, o chefe introduz um novo empregado com as palavras, "Ele não possui nenhuma qualificação ou treinamento, mas é muito alto, então sabemos que irá longe. Ele também tem um estilo de cabelo de executivo; até pensamos que se tornaria prateado!")

As campanhas presidenciais, hoje em dia, parecem superproduções; os candidatos devem ser bonitos, falar bem, e ter uma presença dominante. E seu alter-ego, suas vidas antes deles se tornarem presidente, também precisam ser impressionantes, envolvendo carreiras de sucesso, riqueza, e de preferência, uma família famosa.

E o Judaísmo? Será que se diferencia completamente?

O SUPER-HERÓI JUDEU
Realmente, não. Mas é sutilmente diferente, e esta sutil diferença é profunda.

Existem quatro tipos de herói ou posições de liderança no Judaísmo:

o rei,
os membros do Sanhedrin (conselho de sábios),
o sumo sacerdote, e
o profeta.
Os critérios para todos estes tipos são bem parecidos, então discutiremos sobre todos eles juntos.

O Talmud (Nedarim 38a) afirma que o Espírito Divino só descansa numa pessoa que é poderosa, rica, sábia e humilde. Agora, podemos avaliar a importância da sabedoria e humildade num profeta, mas por que tem que ser poderoso e rico?

Maimônides explica isto com um princípio discutido na Mishná, que declara, "Quem é o verdadeiro poderoso? Aquele que vence sua má inclinação. Quem é o rico? Aquele que está feliz com o que possui”.

O poder e a riqueza mencionados são atributos internos e espirituais, e não se trata respectivamente de muito dinheiro e força.

Esta explicação, porém, não parece ser simplesmente o significado da lista de requisitos do Talmud. Ainda estamos defrontados com o por que do poder físico e riqueza materiais serem condições prévias para se tornar um profeta.

Uma resposta pode ser encontrada na história mais vendida de Richard Adam sobre a vida numa coelheira "Watership Down". O coelho Fiver, um pequeno, fraco e patético coelho tem o poder da profecia (admitidamente incomum num coelho). Fiver tem uma visão em que a coelheira está para ser destruída por uma incorporadora. Então, desesperadamente tenta persuadir os outros coelhos da coelheira a partirem. Mas estes simplesmente não acreditam nele, mas, afinal, quem pode culpá-los? Este patético e doente coelho está, obviamente, delirando, louco e profundamente transtornado.

Qualquer pessoa que seja doente, pobre ou patética não teria credibilidade como um profeta. Talvez estivesse fingindo para não parecer que é louco ou para ganhar mais atenção, afinal, não tem nada a perder. O requisito para um profeta ser saudável e rico é simplesmente para que as pessoas o levem a sério, como um homem de prestígio.

Uma razão semelhante se aplica as leis de nomear um rei. Maimônides estabelece que uma pessoa não pode designar um açougueiro ou cabeleireiro para ser rei. Não é porque estas pessoas sejam inadequadas para a tarefa; o Judaísmo se importa mais com as qualidades internas do que com o prestígio superficial. Porém, já que o trabalho destas pessoas não é prestigioso, o público não os levará a sério e sua autoridade estará comprometida.

UM PONTO DE VISTA PRAGMÁTICO
Este requisito baseia-se numa perspectiva pragmática, muito antes de ser um atestado para a importância de uma poderosa carreira.

Tudo isso garante que o rei seja tratado com respeito. Pela mesma razão é proibido que o rei seja visto pelado ou saindo da sauna (contrastando com o anúncio de propaganda de Al Gore, onde é visto saindo de uma piscina).E o requisito de honrar o rei se aplica também ao rei, afinal, a monarquia é muito maior do que o rei. Da mesma forma, é proibido ao rei recusar quaisquer honras feitas a ele.

Por outro lado, o rei por si mesmo é só uma ferramenta para assegurar que as pessoas estejam unidas numa sociedade obediente à lei.Então, há certas regras para ele como: não acumular riqueza desnecessária, não beber excessivamente, além de ser uma ordem agir humildemente e com igual preocupação com todos os membros de sociedade, não importa quais sejam suas condições.

O requisito de possuir uma boa imagem para ser um líder só serve para garantir o respeito ao rei, mas, definitivamente, tem lugar secundário em relação às características internas de sabedoria, força de vontade e integridade. Se há algo em que é preciso ceder são nas coisas superficiais preferivelmente às características de caráter.

O maior líder de todos os tempos, a grande pessoa, o super-homem real, foi Moisés.

É interessante o fato de que seu título é muito diferente dos outros grandes homens. Temos Richard, “O Coração de Leão”, William “O Conquistador”, e Conan “O Destruidor”. Mas Moisés é chamado de Moshé Rabeinu, "Moisés, nosso Mestre".

A HUMILDADE DE MOISÉS
Sua grandeza além de sua humildade são refletidas em seus ensinamentos de sabedoria ao seu povo. (Incidentemente, seus milagres foram irrelevantes para sua reputação; Maimônides relata que o povo judeu foi sempre cético em relação a eles, suspeitando que fossem apenas ilusões ou feitiçaria no lugar de provar que ele era o mensageiro de D’us.)

Ainda faltava em Moisés aquilo que talvez seja a mais importante qualidade para um candidato para a liderança hoje em dia: boas habilidades de oratória. A Bíblia nos conta que ele tinha um impedimento de fala! Algo que acabaria com qualquer candidato que estivesse tentando conseguir a presidência hoje. Mas, para Moisés, assegurou que seria seguido com base na verdade de suas palavras, e não em sua oratória.

Na era dos meios de comunicação em massa de hoje em dia, a imagem é tudo o que importa. O Judaísmo também a vê como algo importante; mas somente à medida que for vista como uma concessão para a imprevidência humana.

Vamos tentar não nos esquecer nunca que são as qualidades espirituais internas os verdadeiros superpoderes.