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É só dizer não Rabino Yaakov Salomon
Se Roy conseguiu abandonar o vício, você também pode. Escutei Roy contar sua história. Ele era breve e tranqüilo, com um traço de pronúncia defeituosa na voz, que obviamente estava trabalhando para melhorar. Ele era esperto, muito esperto. Ninguém o teria escolhido dentro de uma formação de viciados em drogas. Ele falou praticamente sem alteração de humor ou sentimento. Mas seu histórico é irrelevante. Basta dizer que cresceu sem amor, sem limites, e com dúvidas que não tinha a quem perguntar, ou alguém sequer que lhe perguntasse. Como acontece freqüentemente, saiu do segundo grau, juntou-se a multidão errada e seu declive foi rápido. Em retrospecto, sua dependência, seu vício em relação às drogas realmente não surpreenderia ninguém. Porém, a história de Roy não terminou, e tem um final feliz. Embora especialistas em tratamento de pessoas viciadas concordem que a palavra "cura" é somente uma palavra com quatro letras neste terrível e assustador labirinto de dor e confusão, Roy, incrivelmente, esta "limpo" há mais de doze anos. Hoje, passa uma boa parte de seu tempo aconselhando crianças que encontram consolo nos alucinógenos e anfetaminas que Roy chamava de “casa" quando não havia nenhuma outra. Eles o denominam recuperação. Nos sentamos por mais de duas horas naquela quarta-feira à tarde, e enquanto ele vinha para buscar meu conselho sobre um assunto que não me era familiar, saí de lá com grandes compreensões e descobertas profundas. Lembro de meu deslumbramento ao escutar sua história heróica de recuperação, mas estava curioso em saber por que parecia que encobria os detalhes desta milagrosa recuperação. Ao descrever sua rápida e feroz decadência, Roy provou ser um habilidoso contador de histórias, descrevendo cada mudança repentina, reviravoltas e toda a sua glória como num cinema 3D com muitas cores e efeitos. Mas quando se aproximava do fim de sua brilhante e surpreendente inversão completa de seu modo de vida, percebi que não tinha explicado realmente como tudo isso aconteceu. O que fez com que ele tivesse forças para desistir das drogas? Aceitei suas palavras como um desafio e pedi para que tentasse novamente. Ele o fez. "Certo. Então, numa noite eu estava no encontro do NA (Narcóticos Anônimos). Foi num dos períodos mais obscuros de minha vida. Tudo o que sabia era crack e mais crack. As drogas mandavam na minha vida. Ou melhor, eram a minha vida. Não existia nada mais. É duro de imaginar quando nunca se esteve lá. "Mas alguém me convenceu a ir a uma reunião”. “Tenta”, ele disse. “Você pode sair de lá quando quiser”. "Então, as pessoas se levantavam e contavam suas histórias. Era terrível, cada uma delas. E me via nelas. Era estranho. Chegou minha vez de falar e passei, na verdade queria falar, mas estava com medo de chorar”. “Outra hora”, disse. Em seguida, o rapaz ao meu lado começou sua triste história. Não me lembro muito bem, mas era triste...Muito triste. Mas, depois de alguns minutos, ele falou que atualmente estava completamente limpo de todas as drogas e já fazia quase cinco anos! Considerando o estado em que se encontrava antes, esta era uma declaração bastante surpreendente. Naquele ponto, meus ouvidos se aguçaram. E vou lhe dizer como me recuperei. Pode parecer estranho, mas, um dia, estava no banheiro lavando as mãos. Lavei meu rosto e me olhei no espelho. Vi a morte. Fiquei me olhando fixamente no espelho por um longo tempo e então disse as palavras que pensei que nunca pronunciaria: “Você não precisa das drogas”. E assim, o homem se sentou. Lembro que me senti estarrecido. Você não precisa das drogas. O encontro terminou logo depois disso. Caminhei até minha casa repetindo aquelas palavras ainda estranhas várias vezes. Você não precisa das drogas. "Acredite ou não, esta era uma opção que nunca considerei. Estava tão submerso nesta perigosa doença que não pensava em mais nada. Sem as drogas, era como viver sem respirar. Mas quando este rapaz, que estava profundamente envolvido, assim como eu, disse aquelas palavras, ele me atingiu como uma locomotiva. "Então entrei em casa, juntei toda a minha corajosa família, e disse, em voz alta: ”EU NÃO PRECISO DAS DROGAS”. Eles provavelmente riram silenciosamente em total descrença, mas a verdade era que não tinha inalado, injetado, cheirado ou tragado nenhum narcótico desde aquele dia. Você provavelmente não entenderá o que acabei de lhe dizer, mas esta é a minha história." Olhei para Roy em silêncio. Ele estava certo.Realmente não entendi. Como assim? Não é óbvio que ninguém precisa das drogas? Será que ele não enxergava que as drogas foram sua escolha, ou seja, a escolha que fez para sua vida? E como esta óbvia e banal declaração pôde ser milagrosamente transformada num tipo de oração ou reza mística e de recuperação? Bem, uma coisa é certa. Apesar de toda minha falta de compreensão e inacreditáveis perguntas, funcionou.Funcionou para aquele homem no encontro e funcionou com Roy. Como? Talvez a compreensão total desta enigmática "cura” esteja reservada para aqueles que precisem dela. Se este é o caso, deixarei alegremente meu interesse de lado. Mas talvez um pensamento similar nos oferecerá uma compreensão parcial desta ferramenta efetivamente estranha. O Rabino Matisyahu Salomon, de grande renome em Gateshead e Lakewood, apresentou, uma vez, uma compreensão semelhante, porém simplista ao discutir o pecado de lashon hará, o “falar” de modo difamatório de uma pessoa. Muitas vezes, ouvimos por acaso uma fofoca picante em relação a alguém. Não estávamos procurando por isso, simplesmente, a oportunidade se apresentou num jantar, casamento, num jogo de futebol ou numa conversa de bar. Histórias indecentes que envolvem pessoas que conhecemos normalmente não são aceitas e muitas pessoas evitam falar ou mudam de assunto. Sem problemas. A conversa pode ser muito boa, sobre um assunto sem relevância qualquer, mas, de repente um comentário maldoso pode vir. E o estrago está feito. A raiz disso tudo, diz Rabino Salomon, é a boa e velha curiosidade. E o remédio é uma simples frase que diz: "eu não preciso saber tudo!" Para muitas pessoas, aquela verdade pode ser um golpe. Para alguns, não saber o que acontece ao seu redor em detalhes, não é importante. Para outros, é como não respirar. Elas vivem para satisfazer sua necessidade de saber tudo sobre todo mundo. Que triste. Eu acho que a história se resume essencialmente na habilidade inata do homem escolher. O maior presente que D’us deu ao ser humano é o poder da escolha. Diferentemente do reino animal que responde somente aos instintos, o homem possui a capacidade para pensar em suas opções e decidir de forma razoável. O que não quer dizer que ele sempre faça isso, mas pode. O que acontece é que freqüentemente esquecemos que o poder da escolha está sempre conosco. Estamos tão apegados aos antigos padrões de comportamento e reações instintivas, que falhamos ao considerar que: REALMENTE NÃO PRECISAMOS FAZER AS COISAS DESTA OU DAQUELA MANEIRA ESPECÍFICA. O reconhecimento desta realidade traz um efeito libertador, divertido e inacreditavelmente poderoso. E o acompanhamento para a mudança genuína e duradoura é ilimitado. Realmente não importa qual seja nosso hábito, vício ou inclinação em particular. Para algum são as drogas, para outros é a fofoca. Podia ser também comida, internet, sarcasmo, ou só a perda de tempo. Todos temos padrões de comportamento negativos de personalidade, forma ou tamanho. O que Roy está dizendo, é para abrirmos os olhos e nos olharmos no espelho. Não precisa ser assim. |
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